Lordeverso: Paracósmicos, quando a dor encontra sua forma

Os Criativos são adolescentes que ingressam o plano metafísico, portanto você não encontrará ninguém com menos de 18 anos criando hordas inteiras pela rua. Certo? Não, errado.

Wake by Peter Mohrbacher
O termo "Criativo" é destinado a um jovem que, entre milhares, foi selecionado para ingressar o plano metafísico e tem a oportunidade de explorar quase ao infinito sua criatividade. Ele pode ser eternamente associado ao que fizer no mundo metafísico, ainda que não se lembre disso, então, é mais comum alguém metafísico se dirigir a ele como Criativo, para diferenciá-lo dos demais seres físicos.

Há debates calorosos sobre um Criativo ser ou não um artemago. E as coisas se complicam quando conhecemos os paracósmicos, crianças e adolescentes que possuem algumas características de Criativos, mas não o são.

Antes de tudo, paracosmo é um detalhado universo ficcional criado dentro da mente de seu autor. Neste mundo imaginário, há presença de humanos, animais e coisas que existem na realidade, mas também pode conter entidades que são totalmente imaginárias e estranhas, oriundas de outros mundos. Um paracosmo possui sua própria geografia, história e língua. Trata-se de uma experimentação mental muitas vezes iniciada ainda na infância, podendo se desenvolver durante um longo período, inclusive na fase adulta.

Vem do grego παρά-, para: 'fora', 'com' ou 'contra', um sufixo que significa "ao lado dele" ou "fora dele". Cosmos também vem do grego κόσμος kosmos, o que significa "universo", "mundo". A união destes dois termos cria o termo "paracosmos", que significa "mundo exterior". O conceito foi descrito pela primeira vez por um pesquisador da BBC, Robert Silvey, com uma investigação posterior pelos psiquiatra britânico Stephen A. MacKeith e psicólogo britânico David Cohen. O termo "paracosm" foi cunhado por Ben Vicente, um participante no estudo de Robert Silvey, em 1976, quando ele tentou explicar que tipo de passatempos praticava.

Baseando-se no conceito de paracosmo, passou-se a usar o termo "paracósmico" a toda criança e adolescente que apresente as seguintes características:

  • Presença de amigo imaginário;
  • Capacidade limitada de criar objetos e seres animados a partir de grande concentração ou por meio de ato voluntário sem muito esforço;
  • Desenvolvimento de uma segunda habilidade extraordinária, geralmente no campo de poderes extrassensoriais (telepatia, telecinese, projeção astral e psicometria, por exemplo);
  • Histórico de abusos e violência quando criança, o que desperta todas as características acima;
  • Comportamento violento ou reprimido, exigindo severo acompanhamento médico para encontrar um equilíbrio que não comprometa seu futuro.
Em geral, a presença de amigo imaginário e os "dons" recebidos se perdem após os dezoito anos, o que, segundo alguns, comprova a ligação com os Criativos. Há casos, contudo, de paracósmicos que conseguiram preservar a habilidade extrassensorial, perdendo apenas o amigo imaginário e a capacidade de criar coisas.

Paracósmico são considerados entidades perigosas demais para viverem em sociedade, portanto a existência de organizações que os cacem, capturem, ensinem-nos a controlarem suas emoções e pensamentos e/ou os exterminem não são incomuns, sendo financiados por empresas e governos. Há relatos de experiências para replicar os dons em laboratório, numa busca por químicos que criem os mesmos efeitos em pessoas adultas.

Por fim, em cima de toda problemática sobre a natureza dos poderes e o quão perigosos são crianças e adolescentes traumatizados, psicopatas e assassinos dotados de características especiais, uma coisa pode ser confirmada até por quem defende a extinção dos paracósmicos: eles são resultado da violência e da barbárie humana, torturados de tantas formas que acabam materializando as dores em monstros e replicando todo o sofrimento que tiveram em outras pessoas. Tratá-los ou exterminá-los varia de cada um, assim como varia a forma como um paracósmico reage de volta ao mundo que os criou.